BLOG do SANTUÁRIO SANTO ANTONIO DO VALONGO


Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai!

Em sua pregação aos camponeses da Palestina, na linguagem campestre deles, Jesus aborda hoje o tema da condenação (evangelho). Já vimos, no domingo passado, que ninguém conhece a profundeza do pensamento de Deus.
 
Incredulidade não significa necessariamente perdição. Como ainda muitos “bons cristãos” hoje, também os antigos judeus se admiravam de que Deus deixasse coexistir fé e incredulidade, justos e
injustos. Mas Deus não precisa prestar contas a ninguém. Sua grandeza, ele a mostra julgando com benignidade, pois ele tem suficiente poder; Deus não é escravo de sua própria força (Sb 12,18; 1ª leitura)! O salmo responsorial (Sl 86[85]), aparentado à revelação de Deus a Moisés em Ex 34,5-6, acentua o tema da magnanimidade de Deus.

Contrariando nossa impaciência e intolerância, Deus aguarda que talvez o injusto ainda se converta (12,19; cf. Lc 13,6-9). Sobre este tema Jesus bordou uma de suas mais eloqüentes parábolas: quando num campo se encontra joio no meio do trigo, é muito imprudente extirpar apressadamente o joio, pois se poderia arrancar também o trigo. Melhor é ter paciência, deixar tudo amadurecer e, no fim, conservar o que serve e queimar a cizânia. Deus é tão grande, que no seu Reino tem espaço até para a paciência com os incrédulos e injustos. Ele é quem julga.

A essa parábola são encadeadas algumas outras, de semelhante inspiração campestre (Mt 13,31-33), bem como uma consideração sobre a “pedagogia” das parábolas. Depois, Jesus explica a parábola do joio. As parábolas intermediárias (do grão de mostarda e do fermento) referem-se ao incrível crescimento do Reino de Deus. Há, porém, diferenças no acento. Na parábola do grão de mostarda, o enorme crescimento do Reino, incomparável com seu humilde início, dá uma impressão de amplidão, de expansão, de espaço; na parábola do fermento, é a força interior que é acentuada: um pouco de fermento dá gosto ao todo.

Nos v. 34-35, o evangelista faz uma observação sobre a pedagogia de Jesus. Ele não fala por meio de parábolas para confundir o povo, mas sua pregação confunde, de fato, os que acham que sabem tudo (cf. Mt 13,12-15; dom. pass.). Ora, para quem quiser escutar, cumpre-se, nesta pedagogia de Jesus, o que o salmista já anunciara há muito tempo: a revelação das coisas escondidas desde a formação do mundo.

O tema principal para hoje é, pois, a grandeza de Deus, que tem lugar para todos, inclusive os pecadores, até o momento em que eles terão de decidir se aceitam a sua graça, sim ou não. Isso nos ensina também algo sobre o pecado: com o tempo, o pecado se transforma, ou em arrependimento, ou em orgulho “infernal”, ao qual cabe o destino que finalmente é dado ao joio.

E como viver num mundo onde coexistem fé e incredulidade, justiça e pecado (muitas vezes, dentro da mesma pessoa, dentro da Igreja também)? Como aceitar pessoas, sem aceitar seu pecado nem a estrutura pecaminosa de nosso mundo? São perguntas candentes, que podem ser meditadas à luz da paciência, não tanto “histórica”, mas antes escatológica, de Deus.

A 2ª leitura nos ensina algo fundamental sobre a “espiritualidade”. Para muita gente, espiritualidade é uma espécie de conquista de si mesmo, um treinamento, uma ascese – tanto que, antigamente, “ascese e espiritualidade” eram estudadas no mesmo tratado. Ora, espiritualidade cristã existe quando o Espírito do Cristo vive em nós, toma conta de nós. Isso nada tem a ver com ascetismo, uma vez que o Espírito adota até a nossa fraqueza. Nós nem sabemos rezar como convém, mas “o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8,26). Portanto, o importante é deixar-se envolver por esse Espírito e não expulsá-lo pela auto-suficiência de nosso próprio espírito. O Espírito do Cristo é que consegue dar conta da nossa fraqueza; o nosso, dificilmente...

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: www.franciscanos.org.br)
 



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 20h06
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Escrito por Equipe Blog do Santuário às 12h26
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O Messias humilde, não violento

No domingo anterior vimos por que o profeta cristão deve ser um pequenino: a eficácia de sua mensagem se confirma na reação de bondade gratuita que ele provoca no coração dos que recebem a mensagem.

No evangelho de hoje contemplamos o modelo deste tipo de profeta: Jesus. Não apenas como mensageiro, mas como detentor de tudo o que o Pai lhe deu nas mãos, ele é humilde e livre de toda forma de violência (militar, política, intelectual, religiosa e cultural). Nele reconhecemos a plena realização da figura de Zc 9,9-10 (1ª  leitura) - o Messias humilde, que troca o cavalo militar por um jumentinho, que acaba com os carros e arcos de guerra e estende um império de paz de um mar (o Mediterrâneo) ao outro (o golfo de Ácaba).

Num outro texto evangélico encontramos, em forma dramatizada, a realização dessa profecia: a entrada de Jesus em Jerusalém, significativamente no começo da semana da Paixão (Mt 21,1-10 e par.).

O contexto em que o evangelho se situa é o seguinte: Jesus acaba de censurar as cidades da Galiléia por causa de sua auto-suficiência e orgulho (Mt 11,20-24). Em oposição a esse orgulho, surge a figura do Messias humilde, do revelador de Deus que se dirige aos simples e “pequenos” (apelido dos profetas cristãos: cf. dom. passado).

Aqui não valem os critérios de grandeza humana; vale o puro dom gratuito de Deus (11,27). Jesus é o Filho, aquele que conhece o Pai por dentro e pode dispor de tudo o que é dele. É esta a primeira parte do texto, o “júbilo” de Jesus (Mt 11,25-27).

Encadeada nessas palavras, esta parte segue agora outra sentença, um convite aos humildes para aceitar seu “jugo”. A doutrina de um mestre ou rabino era chamada “jugo”. Jesus é um mestre diferente. Seu jugo é suave, dá paz e descanso às almas.

Jesus é o mestre humilde e manso de coração, mas não no estilo água-com-açúcar. Olhemos só o que é o contrário destes termos. O contrário da “humildade” (literalmente, “baixeza”)(*) são o orgulho e a ostentação, que caracterizam os “grandes” de todos os tempos.

E o contrário da “mansidão” ou mansuetude do Senhor é a violência, o uso da força. Ora, se a missão de Jesus e do missionário cristão (cf. dom. pass.) é abrir as comportas do coração, para que serviria a violência? A violência não converte; resultado último não se deve esperar da violência. Por isso, mesmo se o cristão for forçado a usar de violência para proteger seu irmão, nunca a utilizará para transmitir sua mensagem. O coração violento encontra na violência que se lhe opõe uma justificativa! Só a “mansidão” (no sentido de firmeza permanente) desmancha os argumentos da violência (cf. Gandhi).

Na 2ª  leitura temos uma mensagem semelhante. Os critérios da vida nova em Cristo são bem diferentes dos da vida antiga. É a oposição entre a “carne” (a humanidade auto-suficiente, fechada em si mesma) e o Espírito (a força vivificadora e transformadora que nos é dada em Jesus Crista e da qual sua ressurreição é o sinal) (Rm 8,11). Aos critérios humanos não ficamos devendo nada, pois estes são os da força e do “salve-se quem puder!” É difícil convencer-se disso.

Estamos sempre prestando contas a critérios humanos, que nos são impostos sem a mínima razão: moda, consumo, aparência, ditadura, medo. Parece até que a gente tem medo de não ter algum poder ao qual prestar contas. Temos medo da liberdade do Espírito, da liberdade dos filhos de Deus. Ora, não estamos devendo nada àquilo que, nesses critérios mundanos, se opõe á vontade de Deus. Quantas vezes participamos ativa ou passivamente de atitudes e juízos injustos, de pressão sobre outras pessoas, de “proveitos” injustos e de egoísmo grupal! A tudo isso não estamos devendo nada. Nosso beneficio vem de outras fontes.

Enquanto a oração do dia sintoniza melhor com a mensagem de Paulo, o canto da comunhão (opção II) é um eco puro da leitura do evangelho. Para sublinhar o paradoxo do Messias que, por sua humilhação, levanta consigo toda a humanidade, sugerimos o prefácio comum I.

(*) “Humilde”, na linguagem bíblica, indica em primeiro lugar o que é baixo física ou socialmente (escravos etc.). Não tem a conotação de uma respeitável virtude, da qual a gente se gaba... Cf. ainda o Magnificat, Lc 1,48.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: www.franciscanos.org.br)



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 14h55
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São Pedro e São Paulo

1) Pedro: Simão responde pela fé dos seus irmãos (evangelho). Por isso, Jesus lhe dá o nome de Pedro, que significa sua vocação de ser pedra, rocha, para que Jesus edifique sobre ele a comunidade daqueles que aderem a ele na fé. Pedro deverá dar firmeza aos seus irmãos (cf. Lc 22,32). Esta “nomeação” vai acompanhada de uma promessa: as “portas” (= cidade, reino) do inferno (o poder do mal, da morte) não poderão nada contra a Igreja, que é uma realização do “Reino do Céu” (de Deus).

A libertação da prisão ilustra esta promessa (1ª leitura). Jesus lhe confia também “o poder das chaves”, i.é, o serviço de “mordomo” ou administrador de sua casa, de sua família, de sua comunidade ou “cidade”. Na medida em que a Igreja é realização (provisória, parcial) do Reino de Deus, Pedro e seus sucessores, os Papas, são “administradores” dessa parcela do Reino de Deus (dos “Céus” no sentido de “Deus”... nada a ver com a figura de Pedro como porteiro do céu no sentido do “além”..).

Eles têm a última responsabilidade do serviço pastoral. Pedro, sendo aquele que “responde pelos Doze”, administra ou governa as responsabilidades da evangelização (não a administração material...). Quem exerce este serviço hoje é o Papa, sucessor de Pedro e bispo de Roma (de Roma, por causa das circunstâncias históricas).

Pedro recebe também o poder de “ligar e desligar” - o poder da decisão, de obrigar ou deixar livre -, exatamente como último responsável da comunidade (em Mt 18,18, esse poder é dado à comunidade como tal, evidentemente sob a coordenação de quem responde por ela). Não se trata de um poder ilimitado, mas da responsabilidade pastoral, que concerne à orientação dos fiéis para a vida em Deus, no caminho de Cristo.

2) Paulo: Se Pedro aparece como fundamento institucional da Igreja, Paulo aparece mais na qualidade de fundador carismático. Sua vocação se dá na visão do Cristo no caminho de Damasco: de perseguidor, transforma-se em mensageiro de Cristo; “apóstolo”. É ele que realiza, por excelência, a missão dos apóstolos, de serem testemunhas de Cristo “até aos extremos da terra” (At 1,8).

As cartas a Tímóteo, escritas da prisão em Roma, são a prova disto, pois Roma é a capital do mundo, o trampolim para o Evangelho se espalhar por todo o mundo civilizado daquele tempo. Ele é o “apóstolo das nações”. No fim da sua vida, pode oferecer sua vida como “oferenda adequada” a Deus, assim como ele ensinou (Rm 12,1). Como Pedro, ele experimenta Deus como um Deus que liberta da tribulação (2ª  leitura).

Pedro e Paulo representam duas vocações na Igreja, duas dimensões do apostolado, diferentes, mas complementares. As duas foram necessárias para que pudéssemos comemorar, hoje, os fundadores da Igreja universal. A complementaridade dos dois “carismas” continua atual: a responsabilidade institucional e a criatividade missionária.

 Essa complementaridade pode provocar tensões (cf. Gl 2); as preocupações de uma “teologia  romana” podem não ser as mesmas que as de uma “teologia latino-americana”. A recente polêmica em tomo da Teologia da Libertação mostrou que tal tensão pode ser extremamente fecunda e vital para a Igreja toda.

Hoje, celebra-se especialmente o “Dia do Papa”. Enseja uma reflexão sobre o serviço da responsabilidade última. Importa libertar-nos de um complexo antiautoritário de
adolescentes. Devemos crescer para a obediência adulta, sem mistificação da autoridade, nem anarquia. O “governo” pastoral é um serviço legítimo e necessário na Igreja. Mas importa observar também que aquele que tem a última palavra deve escutar as penúltimas palavras de muita gente.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes (www.franciscanos.org.br)



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 14h45
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Intrépida profissão de fé

Para ser povo sacerdotal e profético (tema de domingo passado), a Igreja deverá enfrentar a sorte dos profetas; pois morrer ou ser rejeitado pelos próprios destinatários da mensagem é uma constante na vida dos profetas. É o que ocorreu a Jeremias, embora tivesse certeza de que, em última instância, Deus estava com ele (Jr 20,10.13,1ª leitura; o salmo responsorial fala no mesmo sentido). A Igreja conhecerá perseguições, mas não deve ter medo: na tentação, Deus estará com ela. É um tema preferido de Mt, que forma a moldura de seu evangelho: “Emanuel, Deus conosco” (1,23) - “Estarei convosco até o fim do mundo” (28,20). Quando a Igreja cumprir sua missão profética, não deverá recear os que matam o corpo, pois Deus cuida até de um par de pardais (evangelho). Não estão os cabelos de nossa cabeça contados?

Por outro lado, quem confessar o Cristo diante dos homens, Cristo o confessará  diante de Deus (dará um palavrinha de recomendação). Mas, quem se envergonhar por causa do Cristo, o Filho do Homem terá vergonha dele também diante do Pai. Isso aí não é uma espécie de revanche de Jesus, mas a mais pura lógica: ele veio para ser o servo e profeta da justiça, da vontade salvadora do Pai. Ele nos associou a sua obra (cf
dom. passado). Então, se nós o renegamos, que fazemos da missão que ele nos confiou? Como poderíamos ainda ter parte com ele? Se ele não pode contar com nossa adesão - ainda que frágil -, nós também não podemos contar com ele, pois somos seus amigos, e amizade é recíproca por natureza.

A primeira Igreja era muito severa quanto à desistência da fé, a “apostasia”. Tinha consciência de que não se pode ser amigo pela metade, fiel um dia, outro não. Os que vacilavam eram severamente censurados e, se recaíssem, excomungados, entregues ao juízo de Deus. Por não termos bem presente a origem de nossa fé, nós já não somos mais tão exigentes; mas a amizade com Jesus continua exigente de per si, independentemente de nossa atmosfera sócio-religiosa.

A 2ª leitura - um tema à parte - será explicada no 1° dom. da Quaresma. Continua a meditação sobre a revelação da graça de Deus, que é o tema central de Rm. Na leitura de hoje, este tema chega ao auge: onde abundou o pecado, aí superabundou a graça.
Tudo quanto foi lido nos domingos anteriores sobre a fé na salvação gratuita de Deus era preparação para ouvir as palavras do Apóstolo hoje: o pecado estragou tudo, não podíamos mais nada por nós mesmos, mas a graça de Deus superou tudo isso: “Se pela falta de um só todos morreram, com quanta maior profusão a graça de Deus e o dom gratuito de um só homem, Jesus Cristo, se derramaram sobre todos”.

Assim, o espírito fundamental deste domingo é de profundo reconhecimento e gratidão pela graça de Deus, manifestada no dom da vida de Jesus Cristo. Este reconhecimento nos leva a uma convicta profissão de que Jesus é o Salvador de nossa vida. E, apesar da ameaça ou escárnio que este testemunho encontra, sabemos que ele está conosco.

Vivemos numa sociedade na qual testemunhar Cristo significa testemunhar a justiça, contra os que fazem do lucro seu ídolo. Desistir de testemunhar a justiça é apostasia, é ceder à idolatria. O cristão sabe que Deus deu seu Filho por ele, por mera graça.

Por isso, empenha-se para que a graça, encarnada em estruturas de justiça, afaste a desgraça dos ídolos do poder. Professa sua fé mediante a prática da transformação social em nome de Cristo e de seu Reino.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes (site www.franciscanos.org.br)
 



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 08h35
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Clique abaixo para ver a reportagem da TV Tribuna sobre a Trezena de Santo Antonio do Valongo.

Video TV Tribuna - 10/06



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 18h41
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Visite o site dos Frades Franciscanos e veja uma excelente coletânea de matérias sobre Santo Antonio.
Clique na imagem abaixo.
 



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 21h57
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"Deusinho nos acompanha sempre"


O Credo dos pobres

Víctor Codina, S.J.

Ao terminar um curso de formação e religião cristã para adultos em um bairro popular de Cochabamba, na Bolívia, uma mulher que assistia o curso exclamou: "Deusinho nos acompanha sempre". Esta exclamação constitui uma verdadeira profissão de fé, semelhante à daquela mulher que enquanto Jesus falava lhe disse: "Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste!" (Lc 11,27).

Na Bolívia, como em outros países da América Latina, o povo é muito apegado aos diminutivos: o pão é "pãozinho", o café é "cafezinho", o pai é "papai", o soldado é "soldadinho", o padre é o "padrezinho", a religiosa é a "mãezinha", inclusive o morto é um "mortinho". Estes diminutivos significam familiaridade, proximidade, carinho, algo íntimo e simples. Neste contexto se pode compreender que também Deus seja chamado de "Deusinho".

Chamar Deus de "Deusinho" está muito longe de concebê-lo como o Primeiro motor imóvel, a Causa das causas, o Ser necessário e Absoluto, o Ser do qual não se pode pensar nada maior, como formularam filósofos helênicos ou escolásticos medievais. Não é também o Deus tremendo e fascinante, nem o "totalmente Outro" dos fenomenólogos da religião.

Também não é o Deus que alguns teólogos chamam de Mistério absoluto, o Deus sempre maior, o Deus inacessível envolto sempre na treva da incognoscibilidade infinita. Não é o Deus "onipotente e sempiterno" ao que nossa liturgia invoca de ordinário. Menos ainda "Deusinho" é o Yahvé terrível que se manifesta entre raios e trovões no Sinai, nem é o Juiz castigador implacável de muitas previsões moralizantes ou da própria pintura do juízo final da capela Sistina. Também não é o Deus do credo Niceno-constantinopolitano.

"Deusinho" é um Deus próximo, familiar, bom, perdoador, misericordioso, que deseja que sejamos felizes, que tenhamos vida em abundância. É o mesmo Deus ao qual Jesus chamava Abbá, ou seja, "papai", inclusive em seus momentos de angustia ante a proximidade de sua paixão (Mc 14,36). "Deusinho" reflete uma imagem paterna e também materna de Deus, porque como diz o profeta, ainda que uma mãe se esqueça de seus filhos, ele não se esquece de nós (Is 49, 15), ele tem entranhas de misericórdia, nos cuida, nos protege, está sempre cerca de nós. Não é o Deus abstrato da mística renana, mas sim o Deus que Teresa de Lisieux descobriu em seu pequeno caminho da infância espiritual.

Indubitavelmente esta imagem do "Deusinho" está estreitamente ligada à encarnação e nascimento de Jesus, quando a Palavra eterna se faz carne e habita entre nós (Jo 1, 14), se despoja de sua glória e se torna semelhante a nós (Filip 2, 6-7). É uma imagem que nasce da contemplação de Jesus menino, o Menino Emanuel, o Deus transformado na pequenez humana, que o povo crente adora na noite de natal e venera nos presépios de suas casas. É sem dúvida o Espírito do Ressuscitado, o que nos permite gritar Abba ou Pai (Rom 8,15; Gál 4, 4), o que nos permite chamar Deus de "Deusinho".

Porém, este "Deusinho", acrescentava a simples mulher de Cochabamba, "nos acompanha sempre".

Não é um Deus que permanece invulnerável e insensível na distância, como os deuses do Olimpo, nem nos deixa abandonados a nossa própria sorte, mas que caminha com seu povo, escuta o clamor dos oprimidos no Egito, acompanha os Israelitas em sua marcha pelo deserto, em sua história de luzes e sombras e lhes faz retornar do exílio da Babilônia a Palestina. É o Senhor ressuscitado que se juntou como peregrino desconhecido aos discípulos de Emaús, lhes explicou as escrituras e compartilhou com eles o pão (Lc 24, 13-35). É o Senhor que disse que estaria sempre conosco até o fim da história (Mt 28, 20) e através do Espírito acompanha a Igreja em sua peregrinação, guia a humanidade e enche o universo, como o Vaticano II ensinou (GS 11). Nele existimos, nos movemos e somos.

"Deusinho" nos acompanha sempre ao longo de nossa vida, em momentos de felicidade e de turbação, e não nos abandonará no momento de nossa morte, porque é o que ressuscitou Jesus de entre os mortos e também ressuscitará nossos pobres corpos mortais (Rom 8, 11; Filip 3, 21). Quem nos separará do amor de Cristo? (Rom 8, 28-39). "Deusinho" fundamenta nossa esperança, porque nos acompanha sempre.

Muitos teólogos buscaram uma fórmula breve que sintetize o credo e responda a nossos dias. "Deusinho nos acompanha sempre" pode ser uma fórmula breve que resume toda a revelação bíblica expressa através do sentido da fé do povo simples: Deus não só existe, como que acompanha o povo sempre. "Deusinho nos acompanha sempre" resume em linguagem popular grande parte da história de salvação bíblica. É uma versão popular do evangelho, é como o credo dos pobres. Isto o povo pobre e simples não aprendeu nos livros ou cursinhos, experimentou em sua própria vida.

A exultação messiânica de Jesus que cheio do gozo do Espírito bendisse o Pai porque havia ocultado os mistérios do Reino aos sábios e entendidos e os havia dado a conhecer aos pequenos (Lc 10, 21), não foi levada muito em sério nem pela Igreja em geral, nem pela teologia de fato. Esta sabedoria cristã popular, fruto da natureza que o povo tem com o evangelho de Jesus, seu sentido da fé, do qual fala Vaticano II (LG 12), não é vista como algo comum. Não cremos que o Espírito fale pelos pequenos e simples e que eles possuem a unção do Espírito (1 Jo 2, 20.27).

Evangelizamos o povo, ensinamos catecismo, pregamos, fazemos teologia e pastoral com os conceitos e linguagens elaborados por sábios e letrados, que muitas vezes apresentam uma imagem de um Deus Todo-Poderoso e Onipotente mais próxima dos ricos, dos senhores feudais, dos reis da terra, dos latifundiários e grandes empresários e financeiros…que ao Deus clemente e compassivo Pai de Jesus, o Deus dos pobres, o Deus do Magnificat, o Deus que Simeão descobriu no templo onde um casal campesino oferecia aquele Menino ao Senhor (Lc 2, 22-35). Nosso Deus, o que pregamos e ensinamos no catecismo, muitas vezes está muito afastado do "Deusinho" do povo simples. Talvez por isto o povo pobre e simples se afasta da Igreja oficial e vive sua fé um tanto à margem, de maneira informal.

Contudo, o povo entendia Jesus de Nazaré. Falava com autoridade, mas de forma simples, com parábolas, com exemplos caseiros tirados da vida, com imagens populares. O povo simples de hoje entende a liturgia, as homilias, as encíclicas do magistério da Igreja? Falta ao povo simples inteligência para compreender ou aos sábios e prudentes falta compreensão profunda do evangelho para poder transmiti-lo aos pobres? Evangelizar os pobres é um dos grandes signos messiânicos (Lc 7, 22). Porém, como evangelizar os pobres? Não haveria que partir de suas necessidades vitais, de suas próprias vivencias e de suas expressões de fé popular?

A expressão "Deusinho nos acompanha sempre" é um desafio e um grito profético para os setores do Primeiro mundo e também da América Latina, para quem Deus morreu ou é algo que pertence à época pré-industrial e pré-científica, um resíduo cultural ante o qual vale mais a pena ser céticos e indiferentes, manter uma dúvida metódica, permanecer em um prudente e cômodo agnosticismo, guardar silêncio. Frente a estes setores, o povo pobre e simples confessa que Deus realmente existe e nos acompanha sempre.

Uma vez mais é verdade que os pobres nos evangelizam, nos oferecem uma imagem diversa de Deus, que poderá e deverá, sem dúvida, ser aprofundada, iluminada pela fé e razão, ser novamente evangelizada, mas que possui a verdade e a sabedoria própria do credo dos pobres. Os pobres são um lugar teológico e hermenêutico privilegiado para compreender o evangelho. Não acabamos de aceitá-lo. E mais ainda quando é uma mulher pobre que, às vezes, nos evangeliza.

____________________________
Víctor Codina, S.J.
Doutor em Teologia e professor de Teologia na Universidade Católica Boliviana de Cochabamba.



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 12h41
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Olhai os lírios do campo!


Quando o trabalho era ainda um valor, certas pessoas escandalizavam-se com a parábola dos lírios do campo (evangelho), porque supostamente propagava uma mentalidade de sombra e água fresca...

Para consolo de tais pessoas, podemos dizer que Jesus não está pregando a desocupação nem a despreocupação, mas apenas apontando a “pré-ocupação”, aquilo que precede toda ocupação. Pois, se a “pré-ocupação” não está bem acertada, as nossas ocupações são todas elas em vão. E a  “pré-ocupação” deve ser “o Reino de Deus e sua justiça”, ou seja, todo o bem que Deus quer para sua gente e para toda a criação. Se essa for a “pré-ocupação”, podemos labutar à vontade; se não, tudo estará desfocado.

Podemos aprender muita coisa das criaturas que vivem conforme as regras do seu instinto natural, pois, sem inventar todas as nossas complicações, passam melhor do que nós. Inventamos muitas preocupações mal-aplicadas (em dinheiro, comida, bebida, vestuário, carro, apartamento...). Índio no mato vive também - às vezes, melhor do que os “civilizados” da cidade industrial.

Comer e beber deveriam ser ocupações tão naturais que a gente nem precisaria fazer delas uma “pré-ocupação”, algo que preside a todas as nossas ações. Não deveríamos criar problemas de antemão com relação a tudo isso - cada dia já traz ocupação que chega. Mas, tudo está distorcido, exatamente porque alguns fazem dessas coisas sua única preocupação, em detrimento do bem-estar dos outros...

Há algo que sempre de novo esquecemos e que, no entanto, determina o sentido de tudo que fizermos: procurar a vontade de Deus. Esta deve ser a verdadeira “pré-ocupação”, o desejo que preside a todas as nossas ocupações. Então, pensaremos também naqueles que não conseguem alimentar-se ou vestir-se...

Portanto, não entendamos este evangelho na mentalidade de sombra e água fresca:
o sombra-e-água-fresca não se preocupa com o que vai comer amanhã, mas também não faz nada pelo coitado que morre de fome a seu lado. Não quer nada com nada...

Quando o seguidor de Jesus não pergunta prioritariamente se vai ter o suficiente para amanhã, não toma essa atitude por desleixo, mas porque reparte aquilo que tem com seu irmão, que está precisando disso hoje. Procura primeiro o que Deus deseja.

Para chegar a tal atitude de “imprudente”  doação, a gente precisa de muita confiança em Deus. Por isso, a 1ª leitura nos lembra o que Isaías disse aos israelitas, desesperados, no exílio babilônico: “Pode uma mãe esquecer a criança que amamentou? Deus nos “criou” - ele não nos esquece!

É verdade que certas pessoas entendem essa confiança de maneira mágica ou leviana. A confiança nunca dispensa a colaboração inteligente. Ora, se nós nos esgotarmos em fazer o bem para os outros filhos de Deus, será que não encontraremos nosso bem nele? Afinal, mesmo prolongar um pouco a nossa vida não é o mais importante (*). Mais vale uma vida desprotegida, esgotada antes do tempo, mas rica em doação, do que um século de egoísmo.
...

(*) Lc faz preceder a parábola do rico insensato (Lc 12,13-21) imediatamente à dos lírios do campo (Lc 12,22s).
Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 12h38
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A FESTA DE CORPUS CHRISTI, A FESTA DO AMOR

 

Por Silvio L. Medeiros

A festa de Corpus Christi é comemorada toda quinta-feira depois do Domingo da Santíssima Trindade, após a festa de Pentecostes, e é realizada há mais de 8 séculos pelos cristãos do mundo. A história nos conta que no ano de 1258, Jesus apareceu à Beata Juliana de Cornillon pedindo a ela a introdução da Festa de Corpus Domini (Corpo de Cristo) no calendário litúrgico da Igreja. Foi preciso que um milagre Eucarístico acontecesse na cidade de Bolsena na Itália para que a Igreja entendesse a validade das mensagens de Juliana e reconhecesse a seriedade do pedido de Jesus. Nesta ocasião cairam gotas de sangue sobre o altar através de uma hóstia consagrada(*) que tirou qualquer dúvida sobre a veracidade dos fatos. Após este episódio o Papa Urbano IV em 1264 emitiu um transcrito, onde prescreveu a celebração da festa de Corpus Christi no calendário litúrgico da Igreja. Vamos aprender agora um pouco mais sobre esse sacramento instituído por Jesus para o nosso amor.

A Eucarístia Um sacramento de Amor

No Novo Testamento, há quatros passagens que relatam a instituição da Eucaristia. São os de São Mateus (26, 26-28), São Marcos, (14, 22-24), São Lucas (22, 19-20) e São Paulo (1 Cor 11, 23-29).

Quando o padre lê as palavras iniciais da Eucaristia, faz isso em nome de Jesus, como se o próprio Jesus estivesse presente. Ernesto N. ROMAN, em sua obra A Eucaristia para o povo, livro que aponta de maneira aprofundada as relações deste sacramento com a Igreja, faz a seguinte citação: "Teóflio de Alexandria, no ano 400, dizia: "Na missa Cristo nos prepara hoje a mesa, nos serve" (2001, p. 15). A partir deste momento, o pão e o vinho ofertados no altar, se transformam realmente em corpo e sangue de Jesus, e a isto se dá o nome de transusbtânciação. Quer dizer que a aparência do pão e do vinho continuam, mas saem sua substância, entrando a realidade divina de Cristo. Neste mistério de fé para o católico, Ernesto N. ROMAN discorre em sua obra já citada:"Sabemos que cada coisa existe com sua substância. A substância não se vê. Mas é aquilo que faz com que um coisa seja aquilo que é. Assim, a substância do ferro é aquilo que faz com que o ferro seja ferro, e não madeira. As aparências do pão e do vinho, aquilo que é percebido com os sentidos, como cor, cheiro, sabor…permancem, somente que sustentados pelo corpo e sangue de Cristo após as transubstânciação. Portanto Cristo se encontra alí na figura de pão e de vinho. Também as espécies do pão e do vinho estão aí não mais para garantir a presença do pão e do vinho, mas sim a presença do Corpo e do Sangue de Cristo" (ROMAM, 2001, p. 14).

Chama-se a Eucaristia também de renovação do sacrifício da cruz, pois era comum entre os judeus o sacrifício de animais e cordeiros como forma de expiação de pecados. Na Eucaristia, Cristo se oferece como o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo (Jo 1, 29), palavras essas recitadas pelo padre após a consagração das divinas formas reafirmando que Jesus veio ao mundo para levar à perfeição aquele primeiro sacrifício de cordeiros do povo judeu, como afirma a passagem do livro de Hebreus, no versículo 8 do capítulo 10, "Não queres e não te agradas sacrifícios e ofertas, holocaustos pelo pecado". Contudo aquele sacrifício na cruz fora cruento, devido ao derramamento de sangue, este agora é chamado pela Igreja como um sacrifício incruento, pois não há derramamento de sangue, mas não deixando de ser a mesma entrega. Maiores instruções sobre este assunto a própria Igreja o faz:

"Na Eucaristia, Cristo se dá este mesmo corpo que entregou por nós na cruz, o próprio sangue que derramou por muitos para remissão dos pecados (Mt 26,28). É portanto, um sacrifício porque re-presenta (torna presente) o Sacrifício da Cruz, porque dele é memorial e porque aplica seus frutos: Na última ceia, quiz deixar à sua Igreja, sua esposa muito amada, um sacrifício visível em que seria re-presentado (feito presente) o sacrifício cruento que ia realizar-se um vez por todas uma única vez na cruz, sacrifício esse cuja memória haveria de se perpetuar até o fim dos séculos (1 Cor 11,23) e cuja virtude salutar haveria de aplicar-se à redenção dos pecados que cometemos cada dia" (CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. 1995, p. 326,327).

Por isso estar diante do Santissímo Sacramento é estar diante do Corpo, Alma e divindade de Jesus Cristo, o mesmo de 2.000 anos atrás, e que deseja atualizar sempre o seu sacríficio da Cruz, para que os cristãos de todas as épocas e tempos tenham a honra e a grandiosidade de receber o mesmo Cristo Jesus que se deu a nós, um dia em Nazaré, e agora bem perto de nós.

Corpo de Cristo - uma lição de amor

Outro termo da Eucaristia, do Corpo de Cristo, é Comunhão, na qual se ressalva outro aspecto importante desse sacramento, que é a união da comunidade reunida para uma refeição espiritual comum. Além de expressar a união de cada um de nós com o próprio Deus, que no momento da comunhão entra fisicamente e espiritualmente naquele que comunga, leva-nos ainda à uma plena intimidade mística. Renovando a entrega de Jesus a toda humanidade por meio da cruz, aspecto este muito significativo, essa comum-união descrita no livro de GÁLATAS (Cap.2, vers.20), é sem dúvida a maior expressão do catolicismo. Nesta festa do Corpo de Cristo a hóstia é elevada e levada solenemente em procissão pelas ruas. Essa expressão de amor tem durante todos os séculos da Igreja alimentado todas as gerações de fiéis católicos que acreditam na missa, como uma entrega renovada em cada celebração, do amor eterno de Deus ao seu povo.

Outro nome da Eucaristia dada pela Igreja é de Pio Pelicano, referência a figura do pelicano, uma ave que quando falta alimento para os filhotes, abre o peito com o bico para alimentá-los com o próprio sangue, morrendo se necessário. Esta expressão de renúncia pelo próximo é sublimada por Jesus e sacramentada na máxima: "Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida pelos amigos" (Jo 15,13). Cada missa é portanto uma renúncia de Cristo por cada um de nós e uma grande lição de amor.

Todos nós sabemos que amar é dar a vida pelo próximo. É Jesus quem diz: "eu sou o Bom Pastor: conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem eu dou a vida pelas ovelhas" (Jo 10, 14-15); em 1989, na Armênia, aconteceu um devastador terremoto na ex-União Soviética, que nessa ocasião teve a soliedariedade do mundo inteiro e aonde se fizeram presentes também Madre Tereza de Calcutá e suas irmãs. Aconteceu que debaixo dos escombros de uma casa fora encontrada após 18 dias uma mãe com seu filho pequeno. Para espanto de todos estavam vivos, porque na última semana, a mãe da criança em cada dia cortara um dedo de suas mãos para que o filho sugasse seu sangue e permanecesse vivo. Quando madre Tereza aproximou-se para beijá-la, ela tocou seu crucifixo, e com um fio de voz disse: "Foi Ele que me ensinou".

De fato Cristo deu o seu sangue para que tivéssemos a vida: "Quem comer da minha carne e beber do meu sangue terá a vida eterna" ( Jo 6, 54).

A missa atualiza o sacrifício da cruz, atualiza a nossa redenção e consequentemente a vida espiritual em nós. Isto quer dizer que em cada missa Cristo se oferece ao Pai por nós. Em cada missa Cristo renova o seu único sacrifício que Ele mesmo pediu aos apóstolos para que o fizessem em sua memória. Memória esta que não significa apenas uma simples lembrança.

Na verdade o que traduzimos por memória vem do grego anamnese, e no entanto o termo utilizado pelos evangelistas é uma palavra grega que não é uma simples memória (mnemone), mas é o mesmo que tornar presente. Por isso a Santa missa é muito mais que uma reunião de oração, é o único e suficiente sacrifício de Jesus Cristo, oferecido a Deus Pai, na cruz, tornando-se presente no altar. Todas as vezes que deixamos de cumprir com a nossa mínima obrigação semanal de participar da missa fazemos como todos os apóstolos que deixaram a Jesus no seu momento mais importante.

(*) Este milagre se encontra ainda hoje intacto, e pode ser visto aos olhos humanos na catedral do Lírios na Itália.

MEDEIROS, Silvio L. Apostolado Veritatis Splendor: A FESTA DE CORPUS CHRISTI, A FESTA DO AMOR . Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/5199. Desde 21/5/2008.

 



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 10h59
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Solenidade da Santíssima Trindade (Jo 3,16-18)

Depois de explicar a Nicodemos que o Messias tem de “ser levantado ao alto”, como “Moisés levantou a serpente” no deserto (a referência evoca o episódio da caminhada pelo deserto em que os hebreus, mordidos pelas serpentes, olhavam uma serpente de bronze levantada num estandarte por Moisés e se curavam – cf. Nm 21,8-9), a fim de que “todo aquele que n’Ele acredita tenha vida definitiva” (Jo 3,14-15), Jesus explica como é que a cruz se insere no projecto de Deus. A explicação vem em três passos…

O primeiro (vers. 16) refere-se ao significado último da cruz. Esse Homem que vai ser levantado na cruz veio ao mundo, incarnou na nossa história humana, correu o risco de assumir a nossa fragilidade, partilhou a nossa humanidade; e, como consequência de uma vida gasta a lutar contra as forças das trevas e da morte que escravizavam os homens, foi preso, torturado e morto numa cruz. A cruz é o último acto de uma vida vivida no amor, na doação, na entrega.

Ora, esse Homem é o “Filho único” de Deus. A expressão evoca, provavelmente, o “sacrifício de Isaac” (cf. Gn 22,16): Deus comporta-Se como Abraão, que foi capaz de desprender-se do próprio filho por amor (no caso de Abraão, amor a Deus; no caso de Deus, amor aos homens)… A cruz é, portanto, a expressão suprema do amor de Deus pelos homens. O quadro dá-nos a dimensão do incomensurável amor de Deus por essa humanidade a quem Ele quer oferecer a salvação.

Qual é o objectivo de Deus ao enviar o seu Filho único ao encontro dos homens? É libertá-los do egoísmo, da escravidão, da alienação, da morte, e dar-lhes a vida eterna. Com Jesus – o Filho único que morreu na cruz – os homens aprendem que a vida definitiva está na obediência aos planos do Pai e no dom da vida aos homens, por amor.

O segundo (vers. 17) deixa claro que a intenção de Deus, ao enviar ao mundo o seu Filho único, não era uma intenção negativa. Jesus veio ao mundo porque o Pai ama os homens e quer salvá-los. O Messias não veio com uma missão judicial, nem veio excluir ninguém da salvação. Pelo contrário, Ele veio oferecer aos homens – a todos os homens – a vida definitiva, ensinando-os a amar sem medida e dando-lhes o Espírito que os transforma em Homens Novos.

Reparemos neste facto notável: Deus não enviou o seu Filho único ao encontro de homens perfeitos e santos; mas enviou o seu Filho único ao encontro de homens pecadores, egoístas, auto-suficientes, a fim de lhes apresentar uma nova proposta de vida… E foi o amor de Jesus – bem como o Espírito que Jesus deixou – que transformou esses homens egoístas, orgulhosos, auto-suficientes e os inseriu numa dinâmica de vida nova e plena.

O terceiro (vers. 18) descreve as duas atitudes que o homem pode tomar, diante da oferta de salvação que Jesus faz: quem aceita a proposta de Jesus, adere a Ele, recebe o Espírito, vive no amor e na doação, escolhe a vida definitiva; mas quem prefere continuar escravo de esquemas de egoísmo e de auto-suficiência, auto-exclui-se da salvação.

A salvação ou a condenação não são, nesta perspectiva, um prémio ou um castigo que Deus dá ao homem pelo seu bom ou mau comportamento; mas são o resultado da escolha livre do homem, face à oferta incondicional de salvação que Deus lhe faz. A responsabilidade pela vida definitiva ou pela morte eterna não recai assim sobre Deus, mas sobre o homem.

De acordo com a perspectiva de João, também não existe um julgamento futuro, no final dos tempos, no qual Deus pesa na sua balança os pecados dos homens, para ver se os há-de salvar ou condenar: o juízo realiza-se aqui e agora e depende da atitude que o homem assume diante da proposta de Jesus.

Em resumo: porque amava a humanidade, Deus enviou o seu Filho único ao mundo com uma proposta de salvação. Essa oferta nunca foi retirada; continua aberta e à espera de resposta. Diante da oferta de Deus, o homem pode escolher a vida eterna, ou pode excluir-se da salvação.

P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 12h26
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Video sobre Pentecostes

Clique AQUI e assista uma mini homilia sobre a Festa de Pentecostes.



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 18h49
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“Ascensão do Senhor” - Mt 28,16-20

Pe. Luiz Carlos de Oliveira
Redentorista

Foi levado ao Céu
 
Celebramos os mistérios de Cristo em tempos e modalidades diferentes. Narramos como uma história. Mas o mistério é um só. Por exemplo, o Natal.

É o mesmo Mistério Pascal de Cristo, visto a partir da Encarnação. Alguns povos se saudavam no Natal dizendo: “Felizes Páscoas de Natal”. Há uma unidade.

A Ascensão de Jesus completa o ciclo da vida terrestre de Jesus. Ela celebra o Senhor crucificado, morto, sepultado, ressuscitado ao terceiro dia, glorificado e exaltado à direita do Pai com toda glória e poder. Temos a sensação de que encerrou uma etapa ou fechou-se uma porta.

O próprio Evangelho diz: “Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo” (At 1,9). Não é o fim de uma etapa. “Jesus sobe ao Pai para realizar seu culto sacerdotal eterno de louvor, ação de graças e intercessão, pedindo ao Pai o Espírito para todos” (Frederici).

O prefácio reza: “Ele subiu aos céus a fim de nos tornar participantes de sua divindade”. Nós celebramos essa participação, de modo particular, na Eucaristia. Nela nos unimos a seu mistério de louvor ao Pai que, a pedido do Filho, nos dá o Espírito para a divinização. Quando se diz que uma nuvem o encobriu a seus olhos, significa uma mudança de relacionamento com Ele.

Indica também, como na Transfiguração, que Jesus assume a expressão de sua divindade, oculta pela humanidade e seu abaixamento na Encarnação (Fl 2,6-11). Depois da Ressurreição, os discípulos puderam vê-lo: “Foi a eles que Jesus se mostrou vivo, depois de sua paixão, com numerosas provas. Durante quarenta dias apareceu-lhes falando do Reino de Deus” (At 1,3). E foi elevado.

Os discípulos têm a certeza que tira a sombra que a nuvem faz: “Eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28, 20).
 
Ascensão é nossa vitória
 
A Ascensão é um aspecto do mistério que mais toca nossa humanidade. Não se trata somente do reconhecimento que Ele foi um homem como nós, mas que toda nossa humanidade estava unida a Ele.

S. Agostinho escreve, explicando a união que temos em Cristo: “E assim como Ele subiu sem se afastar de nós, também nós subimos com Ele, embora não se tenha ainda realizado em nosso corpo o que nos está prometido... Nele, pela graça, também nós subimos”.

O prefácio reza: “Ele subiu, não para se afastar da nossa humildade, mas para nos dar a esperança de que um dia, como membros de seu corpo, iremos a seu encontro, onde Ele nos precedeu, nossa cabeça e princípio”. Deste modo somos vitoriosos com Ele. Nossa humanidade está glorificada.

Tudo o que é do Filho é nosso. Por isso diz Paulo: “Que Ele abra o vosso coração a sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos” (Ef 1,18). Mas está conosco: Estarei convosco todos os dias.
 
Sereis minhas testemunhas
 
Não podemos parar na contemplação do alto, mas transformá-la em anúncio. No momento de sua partida, Jesus diz: “Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar a tudo o que vos ordenei!” (Mt 28,19-20).

Cria-se um novo povo unido à vida da Trindade santa. É um momento em que Cristo continua entre nós, ou melhor, em nós, continua sua missão. Como os discípulos foram testemunhas da ressurreição, nós seremos testemunhas da Ressurreição. Abrimos o Reino de Cristo a todos os povos. As pessoas serão conduzidas à adoração com Cristo ao Pai. Cada Eucaristia nos une a seu mistério de Ascensão.
 



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 16h38
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Evangelho (João 14,15-21) - Jesus promete o Espírito Santo

Jesus despede-se dos seus discípulos e inaugura uma missão especialíssima para mim e para ti. Ele sobe para o Pais a fim de ser mediador junto ao Pai a fim de nos comunicar o Espírito Santo.

É mediação futura, porque feita após a sua ressurreição, através da nova condição que terá diante de Deus (Jo 14,16-17). O Espírito será, então, enviado pelo Pai em nome de Jesus (Jo 14,26). Logo, você e eu receberemos de Deus o Espírito Santo somente através de Cristo. Dada a necessidade salvífica deste gesto e sua relevância para a existência da Igreja, reafirma-se, de novo, a importância capital da mediação de Jesus nas relações do Homem com Deus. Ninguém vai ao Pai senão por Ele.

Com a Sua subida para o Céu, Jesus nos faz ver as várias funções do Espírito Santo. Ele é o nosso Advogado ou Protetor e Mestre da Verdade (Jo 14,16-17.25-26). Na ausência de Cristo, o Espírito há de proteger e defender, em quaisquer circunstâncias, os discípulos de Jesus no mundo, guiando-os e dando-lhes segurança. Manterão viva a mensagem de Jesus, recordando-a e interpretando-a no tempo, de sorte que os discípulos penetrem o seu sentido. Além disso, o Espírito é Santo e santificador, consagrando os discípulos, ou seja, separando-os para serem semelhantes a Jesus, o consagrado por excelência.

A mediação de Jesus Ressuscitado, em ordem à vinda do Espírito, faz-nos viver a espiritualidade das Solenidades que se aproximam: Ascensão e Pentecostes. A temática serve, pois, de preparação para o encerramento do tempo pascal, revelando a relação existente entre a Páscoa e Pentecostes ou entre a ação do Ressuscitado, entronizado em sua glória, e a vinda do Espírito. Além disso, demonstra o modo do agir trinitário de Deus em ordem à salvação dos homens. Deus enquanto Pai é criador, enquanto Filho é Salvador e enquanto Espírito Santo é Vivificador, Consolador, Fortalecedor, Advogado.

O Espírito prometido nos revela a presença de Jesus entre nós. É a presença na comunidade em que se vive o amor. Este amor é a união com Jesus e com o Pai. Quem assim ama reconhece a presença de Jesus. Amar Jesus é amar-nos uns aos outros.

É urgente crer em Deus e em Jesus, Caminho, Verdade e Vida. Quem ama passa a conhecer Jesus e quem o conhece conhecerá também o Pai. Porque Ele o dá a conhecer a todos os que permanecem no Seu amor; Este amor é o dom do Espírito de Amor e o dom da vida eterna na comunhão com Jesus e o Pai, no Espírito.

Pai, concede-me o dom do teu Espírito que, como luz, dissipa as dúvidas e as trevas do meu coração e me faça caminhar seguro pelos caminhos de teu Filho Jesus que é o Caminho, a Verdade e a Vida que me conduz a Vós.

 

Padre Bantu Mendonça K. Sayla



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 13h51
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Eu sou o Bom Pastor! Eu vim para que todos tenham vida!!

Celebarmos hoje o 4 Domingo da Pascoa, conhecido também como dia munidal de orações pelas vocações consagradas e finalmente como o domingo do Bom Pastor.

Neste trecho do evangelho Jesus se apresenta como a porta das ovelhas. A Porta da segurança, a Porta que traz salvação para quem por ela passar. Mais adiante, no versículo onze, Jesus dirá: “Eu sou o Bom Pastor, aquele que dá a vida por suas ovelhas”.O pastor e o seu rebanho era uma realidade muito comum na vida do povo, no tempo de Jesus.

O que esse relato nos mostra é a intimidade, o afeto entre o pastor e as ovelhas. Percebemos que existe entre eles um amor e uma confiança muito grande. Jesus vai dizer que as ovelhas não seguem um estranho.

A porta tem duas finalidades: a de permitir a entrada dos donos da casa, e também a de impedir o ingresso de estranhos. Jesus afirma que ele é a porta. É ele que decide quem deve ter acesso às ovelhas e quem deve ficar longe do rebanho.

Por essa porta só o verdadeiro pastor pode passar, diz Jesus. O pastor autêntico deve ter os mesmos sentimentos e atitudes em relação às ovelhas. Deve amá-las e estar disposto a dar sua própria vida para salvá-las, assim como ele fez.

As ovelhas seguem somente o seu pastor, porque conhecem a sua voz e reconhecem seus passos. Conhecer, na Bíblia, tem um significado muito profundo, conhecer significa amar. Quem conhece de verdade, ama, pois quem não ama o próximo, ainda não o reconheceu como irmão.

Jesus deixa bem clara a diferença entre o bom e o falso pastor. Este último, vem só para roubar, destruir e matar. Por isso é comparado ao ladrão. O Bom Pastor preocupa-se com a vida; vem para que todos tenham vida plena e em abundância.

O pastor é o líder. Todos nós, seja no trabalho, na família ou na comunidade, sempre exercemos algum cargo de liderança. É importante rever nosso comportamento como líderes. Na parábola do bom pastor, Jesus nos alerta sobre como viver as relações de liderança. O líder não pode ser autoritário.

Quando a liderança deixa de ser serviço para tornar-se poder, ela oprime e destrói. Quando exercemos um cargo de liderança, sobretudo nas funções públicas e na comunidade, precisamos estar próximos das pessoas, precisamos conhecer suas necessidades, compreendê-las, amá-las e partilhar com elas a vida.

As ovelhas conhecem a voz do seu pastor, confiam e deixam-se levar. Sabem que, se for necessário, o pastor as carregará sobre seus ombros. Em segurança serão conduzidas para verdes pastagens e água abundante.

O Bom Pastor não é reconhecido por falar manso e de forma poética, Ele é reconhecido pelas verdades que diz; palavras nem sempre doces, mas verdadeiras.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, diz ele (Jo 14,6). Se ele é a verdade, os que estavam na verdade estavam com ele. Os que vieram fora dele, pelo contrário, são ladrões e salteadores porque só vieram para pilhar e fazer morrer. “A esses, as ovelhas não escutaram”.

“Em verdade vos declaro: Eu sou a porta das ovelhas.” Jesus acaba de abrir a porta que nos estava fechada por causa do nosso pecado. Ele mesmo é essa porta. Deixa-te conduzir por Ele. Abre bem os ouvidos do seu coração e seja dócel ao seu chamado. Diga sim a ele. Renconheça-o como o seu tudo e terá a vida eterna.


Padre Bantu Mendonça K. Sayla



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 16h43
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FICA COMIGO, SENHOR!

Somente Lucas relata este belíssimo e comovente episódio, tão humano e tão divino, dos discípulos de Emaús. Jesus mostra como o bom e sadio relacionamento humano é o princípio e a base para construirmos, com segurança, nossa vida em Deus.

Decepcionados, deprimidos com a crucifixão do Mestre, perdidas todas as esperanças que haviam depositado em Jesus como Messias, os dois discípulos, frustrados, andavam em direção a Emaús,  quando “o próprio Jesus aproximou-se e pôs-se a caminhar com eles” (v. 15).

Absortos em sua própria dor, “seus olhos estavam impedidos de reconhecê-lo” (v. 16). Jesus os interroga: “De que estão falando para estarem tão tristes?” Foi o bastante para eles abrirem os corações para aquele que, ao assumir o sofrimento deles, se fez companheiro de caminhada: “Tu és o único forasteiro em Jerusalém que ignora os fatos que nela aconteceram nestes dias?” (v. 18).

Jesus deixou-os desabafar para aliviarem sua dor. Esperavam um Redentor humanamente vitorioso, mas, na realidade, encontraram um Redentor crucificado. Tinham ouvido Jesus falar que seria crucificado e depois ressuscitaria, mas não aceitavam a loucura da cruz.

Era-lhes difícil aceitar os caminhos de Deus: cruz e ressurreição.

Nem eles nem os Apóstolos estavam preparados para aceitar a ressurreição. Disse-lhes Jesus: “Lentos de coração para crer tudo o que os profetas anunciaram! Não era preciso que o Cristo sofresse tudo isso e entrasse em sua glória?” (v. 25-26).

Jesus recorda e interpreta para eles as Escrituras, mostrando-lhes tudo o que a ele dizia respeito e constituía a realização das profecias.

Aproximaram-se da aldeia aonde iam e Jesus fez menção de continuar. Eles disseram: “Fica conosco, pois o dia já declina”. Jesus entrou e ficou com eles. “E, uma vez à mesa, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e deu-lhes a comer”. Então seus olhos se abriram e reconheceram Jesus no gesto eucarístico de abençoar e partir o pão. Fê-los recordar a Última Ceia, memorial de sua Paixão. Jesus, porém, ficou invisível diante deles. Disseram um ao outro: “Não ardia o nosso coração quando ele nos falava e explicava as Escrituras?” (8-32).

Esta é a grande mensagem: as Escrituras dão testemunho do Cristo ressuscitado e a Eucaristia é o próprio Ressuscitado, vivo, presente e atuante na Igreja, núcleo central de onde se irradia a graça de Cristo para o mundo.

* Senhor, ajuda-me a ter uma vivência eucarística, a partilhar com os irmãos os dons que gratuitamente recebo de tuas mãos. AMÉM.

* * *

Arde meu coração ao ler as Escrituras? Creio que Jesus ressuscitado continua vivo e presente na Eucaristia? Arde meu coração quando recebo Jesus na Eucaristia? Creio em Jesus só nos momentos felizes ou costumo pedir: “Fica comigo, Senhor”? Creio que na Eucaristia realiza-se a permanência de Jesus na Igreja, onde ele continua sua ação salvífica entre nós?

Frei Floriano Surian, ofm (www.franciscanos.org.br)

 



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 11h54
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Já está disponível, no site do Regional da OFS (www.ofssudeste3.org) a nova edição do Boletim Regional: Fraterinho.
Clique na imagem abaixo e depois clique em Fraterninho.





Escrito por Equipe Blog do Santuário às 12h35
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SEMANA SANTA

 No site dos Franciscanos, leia um ótimo material sobre as principais celebrações da Semana Santa.

Clique na imagem para acessar o conteúdo



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 10h34
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PROGRAMAÇÃO DE PÁSCOA/2008

Clique no link a seguir para abrir a programação de Páscoa do Valongo, para este ano de 2008.

Páscoa/2008



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 12h39
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VAMOS VOTAR NA SILVÂNIA

No dia 10 de Março, o Progrma Ação e Reação, dos nossos amigos Augusto Capodicasa e Fernanda Vannucci, homenageará mulheres importantes da Baixada Santista.

Estamos propondo o nome de Silvânia Ramos que muito tem feito pelas crianças de nossa comunidade, a frente da Pastoral da Criança.

O local virtual para votar é o BLOG DA FERNANDA VANNUCCI cujo endereço é: http://www.fernandavannucci.blogspot.com/

É só clicar e votar no nome da Silvânia.

Oswaldo

 



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 11h11
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A LUZ DE CRISTO

Assim como o penúltimo domingo do Advento é o domingo da alegria (Gaudete), assim também o quarto domingo quaresmal.

O canto da entrada nos convida a associarmo-nos aos romeiros judaicos que subiam em romaria a Jerusalém: Laetare Jerusalém, “Alegra-te, Jerusalém, porque tua salvação superará tua tristeza”. O celebrante usa paramentos cor de rosa (a origem é que este domingo coincide com a tradicional festa das rosas, na Itália). O canto de entrada nos coloca na companhia dos que jubilosos sobem a Jerusalém. 

Ficamos animados com a renovação interior que a Quaresma nos traz e que dá força para continuar o caminho.

O tema da alegria, presente também na oração do dia e na oração sobre as oferendas, preside sobretudo à 2ª leitura e ao evangelho (o qual era lido, antigamente, no dia dos escrutínios dos catecúmenos que se preparavam para o batismo na noite pascal). A 2ª leitura (“Cristo te iluminará”, Ef 5,14) é um texto batismal, que nos faz entender melhor o evangelho, igualmente bastimal. Jesus é a luz do mundo (Jô 9,5) e abre os olhos ao cego pelo banho no “Siloé, que significa: Enviado” (9,7). Além de ser uma alusão ao simbolismo batismal, o evangelho é também uma lição de fé: os diálogos revelam sempre mais firme e decidida a fé do ex-cego, enquanto cresce a má vontade dos fariseus. No fim, o homem é excluído da sinagoga – sorte de muitos judeu-cristãos no fim do século I – mas, ao reencontrar Jesus, chega a professar sua fé e a adorar Jesus, fazendo jus ao sinal que recebera (a abertura dos olhos, sinal do batismo). E como está a nossa coerência batismal?

A alegria que a liturgia evoca é a luz de Cristo, que iluminará os que vão receber o batismo na noite pascal. Receber o banho no “Enviado”  para receber nova visão. O batismo, na Igreja antiga, era chamado “iluminação”. O  prefácio (próprio) explicita isso.
A 1ª leitura apresenta o tema da unção do rei Davi. Destacando a dignidade do rei e sacerdote, nos lembra o Cristo-Ungido-Messias e, ao mesmo tempo, nossa unção batismal em Cristo. Dentro dessa narrativa aparece outro tema que pode reter nossa atenção: o homem vê a aparência, Deus vê o coração. Pensamento salutar no tempo quaresmal. Nosso coração deve ser posto em dia para ser enxergado por Deus (estamos na tradicional semana dos “escrutínios” preparatórios do batismo). Para que a luz de Cristo nos ilumine é preciso termos o coração puro, voltarmos à limpeza batismal. O salmo responsorial associa-se ao tema de Davi-Pastor.

A Quaresma deve ser vista como tempo de preparação à proclamação renovada de nossa fé batismal. Então, “Cristo nos iluminará” (cf. 2ª leitura). A conversão quaresmal é renovação de nosso batismo, oportunidade para assumi-lo conscientemente.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes (www.franciscanos.org.br)



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 11h08
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O batismo, “água viva”

A água é tão vital que sua escassez até poderá provocar uma terceira guerra mundial. Sem água não há vida. Quando os hebreus no deserto desafiaram Deus exigindo água, Deus lhes deu água física (1ª  leitura).  No evangelho, Jesus conscientiza a mulher samaritana de sua sede bem mais profunda, não por água material, mas por “espírito e verdade”. Esta sede é aliviada pelo dom de Jesus Cristo.
 
Ele é a “água viva”, que acaba definitivamente com a sede e faz o mundo viver para Deus. Paulo, na 2ª  leitura, evoca “simbolismo da água para falar do amor de Deus, derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”. O batismo é a efusão do Espírito sobre os fiéis.

Esse dom de Deus é gratuito. Os hebreus, no deserto, desconfiaram de Deus e acharam que deviam desafiá-lo. Mas o dom do Espírito trazido por Cristo, que dá sua vida por nós, e pura graça. Nem sequer conseguimos pedi-lo como convém, porque ultrapassa o que pedimos. Por isso, devemos deixar Deus converter e educar o nosso desejo, para que nosso desejo material nos leve ao desejo da vida no Espírito.

Por outro lado a consciência do dom espiritual (= divino) não leva a desprezar o desejo materialista daqueles que realmente estão necessitados. O desejo fundamental conforme a vontade de Deus orienta também a busca dos bens materiais necessários e sua justa distribuição.

Precisamos de verdadeira “educação do desejo”. Nossa sociedade consumista não “cultiva” o desejo, mas exacerba-o e o torna desenfreado. Em vez disso, devemos aprofundar nosso desejo, para que ele reconheça a sua meta verdadeira: a “água viva”,  Cristo, o dom de Deus na comunhão com o nossos irmãos... O desejo da água natural significa o desejo de viver. Aliviada a sede, o desejo continua. Qual é o seu fim? O desejo não é pecado: é bom, é vital, mas deve ser orientado; através das criaturas para seu verdadeiro fim, o Criador.

A Quaresma é na tradição da Igreja, o tempo da preparação para o batismo. A água do batismo significa uma realidade invisível, aponta para a satisfação de nosso grande desejo: a vida que Cristo nos dá, o Espírito de Deus, derramado em nossos corações. A “educação” de nosso desejo pode ser a preparação da renovação do nosso compromisso batismal. E a melhor pedagogia para isso é começar a não mais satisfazer qualquer desejo mesquinho e egoísta, mas concentrar nossa vida em torno do desejo profundo -  material e espiritual – de nós mesmos e dos nossos irmãos.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes (www.franciscanos.org.br)



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 16h31
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CAMPANHA DA FRATERNIDADE/2008

A Campanha da Fraternidade de 2008 tem como tema: “Fraternidade e defesa da vida”; e o lema é: “escolhe, pois, a vida”. Este tema assume importância sempre maior no Brasil e no mundo em vista das ameaças e agressões constantes à vida, o bem mais importante e precioso sobre a face da terra.

Nas suas múltiplas formas e manifestações, a vida é um bem impagável e indisponível; cada ser vivo manifesta, à sua maneira, a sabedoria e a insondável providência de Deus Criador. Não criamos a vida, mas temos o tremendo poder de destruí-la; e  a destruição da vida pelo descuido e a imprudência humanas, ou pela ganância sistemática e cega, é ofensa ao Criador. Muitas formas de agressão ao ambiente, bem como a interferência leviana na natureza dos organismos vivos, coloca em sério risco a existência da muitos seres vivos, vegetais ou animais. Vem ao caso de perguntar: que tipo de mundo e ambiente estamos preparando para as gerações que virão depois de nós?!

Tratando-se da vida humana, as questões tornam-se ainda mais preocupantes. A pobreza extrema e a falta de políticas sociais adequadas deixam a vida humana exposta a situações de risco e precariedade. A violência endêmica e o crime organizado ceifam numerosas vidas humanas, lamentavelmente, muitas delas, em plena flor da juventude! Submetida à lógica do mercado e da vantagem econômica, a vida humana acaba valendo muito pouco. A degradação ambiental, a contaminação e poluição das águas e do ar, em conseqüência de políticas econômicas irresponsáveis, desencadeiam mecanismos que põem em risco a própria sobrevivência da vida no nosso planeta.

É impressionante o número de abortos clandestinos realizados todos os anos no Brasil. São seres humanos inocentes e indefesos rejeitados, aos quais é negada a participação no banquete da vida. E com os abortos clandestinos, tantas mulheres também perdem a vida, em conseqüência de abortos mal-feitos. Legalizar o aborto seria a solução, para salvar a vida de muitas mulheres? É o que alguns pretendem. Mas essa solução seria trágica, cruel e imoral, pois ambas as vidas são preciosas, tanto mais, quanto menos culpa têm a pagar. A vida da mãe e do filho precisa ser preservada. A solução é a educação para a maior valorização da vida humana e para comportamentos sexuais conseqüentes com a grande responsabilidade de transmitir a vida a um novo ser humano.

Ameaça não menos preocupante para a vida humana é a pretensão de legalizar a eutanásia, uma intervenção intencional e direta para suprimir a vida humana. O ser humano, desde o início da história, sempre teve a tentação de se tornar senhor absoluto da vida e da morte; claro, é pretensão dos fortes sobre os mais fracos. E isso não lhe trouxe nada de bom. Só Deus é senhor da vida, porque só ele é capaz de chamar do nada à existência e de dar plenitude à vida humana. Por isso escreveu no coração do homem esta ordem: “não matarás!”

Proteger, defender e promover a vida é tarefa primordial do Estado, sobretudo a vida indefesa e frágil, como a dos seres humanos ainda não-nascidos, das crianças, idosos, pobres, doentes ou pessoas com deficiência. É ação política por excelência, que não poderá orientar-se pela lógica do “salve-se quem puder”, que só beneficiaria os mais fortes; ela requer o envolvimento solidário de todos os cidadãos. A defesa da vida e da dignidade dos outros seres humanos contra toda forma de agressão, prepotência ou aviltamento interessa a toda a família humana; é manifestação suprema de fraternidade.

O lema – “escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19b) – é tomado do livro do Deuteronômio. O povo hebreu, beneficiado pela ação libertadora e salvadora do Deus da vida, é colocado por Moisés diante da grave alternativa: escolher a vida e um futuro esperançoso para si e seus descendentes, permanecendo fiel aos mandamentos de Deus, ou escolher a morte, andando por caminhos de idolatria e servindo a “deuses” fabricados para a própria conveniência. Isso vale para a globalidade das decisões humanas: nossas escolhas têm conseqüências sobre a vida e o futuro. A escolha livre e responsável do respeito aos mandamentos de Deus e do seu desígnio de vida significa bênção, esperança, futuro. O desprezo ao desígnio do Deus da vida e seus mandamentos traz  a desgraça, a morte.

Esta é a grande questão posta pela Campanha da Fraternidade de 2008, que será ocasião para refletir sobre a complexa problemática que atinge a vida sobre a terra, em especial, a vida humana. Está em jogo o futuro da vida na Terra, nossa casa comum,  e de todos os seus habitantes. Uma solução responsável só poderá ser solidária e fraterna, no pleno respeito ao desígnio de Deus Criador e Senhor da vida.

D.Odilo Pedro Scherer - Bispo Auxiliar de São Paulo
Secretário-Geral da CNBB

 



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 16h47
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Anúncio do Reino, convite à conversão. Mt 4, 12-23

A Luz do Evangelho

O evangelho de Mt é o evangelho do cumprimento das Escrituras, como já notamos várias vezes. Toda a “história de Jesus” é narrada como realização daquilo que, no Antigo Testamento, parecia anúncio ou prefiguração do definitivo agir salvífico de Deus. Quando Jesus se muda de Nazaré para Cafarnaum,  Mt vê aí a realização última e definitiva daquilo que já acontecera uma vez no tempo de Isaías.
 
Pois, naquele tempo, o nascimento de um príncipe parecia prometer tempos melhores para a população da Galiléia (Zabulon e Neftali), terrorizada pelas deportações assírias: o povo que ficara  nas trevas veria uma nova luz, Para Mt, a mudança de Jesus para aquela região realiza plenamente o plano de Deus. É o que nos mostram a 1ª leitura e o evangelho de hoje. Nessa realização, soa o clamor messiânico: “Convertei-vos, o Reino de Deus chegou!”

Na efervescência desta nova consciência, pescadores são transformados em pescadores de homens. Dando seqüência à palavra de Jesus, abandonam suas redes e suas famílias e se engajam com ele para fazer acontecer o Reino de Deus. Jesus inicia suas pregações nos arredores, sua mensagem é confirmada pelos prodígios que realiza, prodígios que falam da comiseração de Deus para com seu povo oprimido. Como canta o salmo responsorial, Deus se revela como luz e salvação para os seus; o povo pode animar-se e pôr nele toda a confiança.

Com isto, desenhamos o espírito fundamental deste domingo: um novo ânimo apodera-se do povo no qual Jesus inicia sua pregação. Ao largarem tudo, os pescadores do lago de Genesaré representam a transformação que a pregação da proximidade do Reino causou.

A liturgia nos toma contemporâneos desses primeiros que ouviram a pregação e seguiram o apelo. A pregação de Jesus não perdeu nada de sua atualidade. Nisto consiste a “plenitude” daquilo que Cristo veio fazer: o que aconteceu “uma vez” é também “para sempre”. Sua pregação tornou-se, de algum modo, um eterno presente. Também hoje devemos ouvir a voz que nos diz que Deus veio até nós, para que nós voltemos a ele. Pois a nossa existência e a nossa história, por si mesmas, sempre se degradam. O Reino de Deus nunca é definitivamente conquistado, pelo menos não enquanto dura a história humana. É uma realidade que deve aproximar-se sempre de novo; e nós, portanto, devemos converter-nos, voltar-nos para ele sempre de novo, como indivíduos, como sociedade, como Igreja, como cultura. Evangelização é isso aí: o evangelho, o clamor de Cristo na terra de Zabulon e Neftali, ressoa sempre de novo nossa vida adentro.

Já no começo da Igreja, Paulo sentiu que o evangelho não foi um mero grito passageiro lá na margem do lago de Genesaré, mas um chamado sempre novo à conversão. Aos seus cristãos de Corinto, que generosamente aceitaram a fé, ele deve lembrar, depois de algum tempo, o evangelho, que, diferente das considerações humanas, não permite a divisão, mas une a todos no nome do Cristo, no qual são batizados. O evangelho não é de belas palavras, mas da cruz de Cristo.


“Evangelho” significa “boa-nova”. É uma luz para os que estão nas trevas. Os prodígios que acompanham a pregação de Jesus revelam o luminoso amor de Deus para seu povo. O que nós anunciamos como mensagem de Deus tem estas características? Alivia o povo oprimido, anima os desanimados?

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: www.franciscanos.org.br)

 



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 16h44
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"Tu és meu filho!"

A festa do Batismo de Jesus encerra o tempo de Natal. Saindo do âmbito da infância, mostra Jesus na véspera de sua vida pública. A voz de Deus que acompanha o dom do Espírito Santo a Jesus proclama-o “filho amado” de Deus, no qual Deus se compraz: o beneplácito de Deus
repousa nele. Ele é quem executará o projeto do Pai. Por isso é chamado de “filho”, termo que pode ser aplicado a todo justo, mas no caso de Jesus, de maneira única (por isso, o evangelista João o chama de “[filho unigênito”).
 
A 1ª  leitura apresenta o “servo” de Deus que animou o povo durante o exílio babilônico. Os profetas da escola isaiana lhe dedicaram quatro cânticos (Is 42,1-7; 49,1-6; 50,4-9; 52,13—53,2). No primeiro cântico, lido hoje, ressoa a eleição desse predileto para levar aos povos e mesmo às “ilhas” (= os continentes) o verdadeiro conhecimento do Deus de misericórdia e fidelidade. Ele é aliança com os povos, luz das nações, para restaurar a paz e felicidade dos oprimidos. Ele é portador da quase trágica “eleição” do povo de Israel para, no desterro, ser testemunha do Deus verdadeiro no meio das nações.

O evangelho supõe a 1ª leitura, mas onde Is diz “servo”, o evangelho diz “filho”, o que se deve à influência de outros textos (p.ex., Sl 2,7), como também à evolução na percepção da relação de Jesus com o Pai. Aliás, no mundo grego um dos termos para dizer servo pode também significar “filho”.

No ano A, o evangelho é tomado de Mt, que diverge dos paralelos sinóticos (Mc e Lc) pelo fato de a voz ser dirigida não a Jesus, mas à multidão, e pelo pedido de João Batista para ser batizado por Jesus, em vez do contrário. De fato, Jesus é mais importante que o Batista, mas ele quer “cumprir toda a justiça” (Mt 3,15), isto é, a vontade de Deus. O que reforça ainda o peso de ele ser proclamado “filho” de Deus. E essa justiça é precisamente a solidariedade com o povo que procura o batismo para, em espírito de conversão, preparar-se para o Reino de Deus.

A 2ª  leitura é outro texto-chave do N.T.: o “querigma” ou anúncio proclamado por Pedro para os companheiros pagãos do centurião Cornélio, em At 10. Com um toque de universalidade, Pedro anuncia a missão de Jesus como Messias e Filho de Deus, a partir de seu batismo por João.

Esta liturgia nos faz ver, no homem de Nazaré, o Servo e Filho de Deus, enviado para aliviar a opressão de seu povo e testemunhar a graça de Deus para todos. Filho amado de Deus, luz para todos, sob este augúrio inicia-se a atividade pública de Jesus.

Mas a liturgia menciona também nosso próprio batismo (oração do dia I) e nossa filiação divina (oração final). De fato, se a comunidade cristã assumiu o sinal do batismo é por querer unir-se a Jesus, que, neste sinal, assumiu a vontade de Deus e sua missão. Participamos da missão do Servo e Filho amado. Também nós somos qualificados como filhos, embora, com a graça de Deus, ainda devamos “tomar-nos plenamente o que somos chamados a ser” (oração final).

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes (www.franciscanos.org.br)



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 19h53
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Epifania do Senhor - 06 de Janeiro de 2008 -

A Epifania marca a fase final do ciclo natalino [Historicamente, a festa da Epifania (6 de janeiro) é a data do Natal no Oriente. Mas a Igreja ocidental (latina), que celebrava o Natal no dia 25 de dezembro, conservou a data de hoje com o nome de Epifania, tornando-se um sinal de unidade entre a Igreja oriental e a ocidental.

Celebra a manifestação (epifania, em grego) de Deus ao mundo, na figura dos reis magos que, representando o mundo inteiro, vão adorar o menino Jesus em Belém.
 
A liturgia retoma o tema da luz - luz que brilha não só para o povo oprimido de Israel (como na 1ª leitura da noite de Natal), mas para todos os povos, segundo a visão do profeta universalista que escreveu o fim do livro de Isaías (1ª leitura).

Jerusalém, restaurada depois do exílio babilônico, é vista como o centro para o qual convergem as caravanas do mundo inteiro. Essa visão recebe um sentido pleno quando reis astrólogos do oriente procuram o messias nascido de Davi - nos arredores de Jerusalém, em Belém, cidade de Davi (evangelho). A 2ª leitura comenta, mediante o texto de Ef 3, 2-6, esse fato como revelação do mistério de Deus também para os pagãos.

Toda a liturgia de hoje é permeada pelo sentido universal da obra de Cristo. Mas para não cairmos no universalismo abstrato e global das grandes declarações internacionais, que nunca chegam até o chão, encontramos aqui, como na festa da Mãe de Deus, a inserção bem concreta de Jesus num ponto “parcial” da humanidade. Mesmo não sendo a menor das principais cidade de Judá (Mt 2,6), Belém não passa de um povoado que os magos nem sequer encontram no mapa. E, contudo, nesse momento, é o centro do inundo, assim como Ezequiel, por volta de 580 a.C., chama a aparentemente insignificante terra de Israel de “umbigo da terra” (Ez 38,12). O ponto por onde passa a salvação não precisa ser grandioso.

Belém representa a comunidade-testemunha, não o império oficial do poderoso Herodes. É centro do mundo, não para si mesma, mas para quem procura o agir de Deus. Não em Roma, nem na Jerusalém de Herodes, mas na Belém do presépio é que a estrela parou. Para mostrar que não depende do poder humano, Deus se manifesta no meio dos pobres, no Jesus pobre.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 10h41
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Escrito por Equipe Blog do Santuário às 13h12
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SPES SALVI - O que me é permitido esperar?




Spes salvi: o que me é permitido esperar?

 Maria Clara Lucchetti Bingemer 
 
                                         
         Nada mais adequado ao tempo litúrgico do Advento que a Igreja iniciou no último domingo do que a nova encíclica do Papa Bento XVI.  Uma encíclica sobre a Esperança.  O Advento, como o próprio nome diz, é tempo de espera.  E a espera é pelo Único que nos pode redimir do desespero e da morte.  Esperá-lo e preparar sua vinda já é em si mesmo viver a virtude teologal da esperança.

Chamada pelo escritor francês Charles Péguy de “filha menor do bom Deus”, a esperança parece  ausente de um mundo que pretendia haver encontrado na razão potente a chave de todos os segredos.  Porém, Péguy adverte que a esperança não cessa de surpreender o próprio Deus. A Ele Péguy faz dizer em um belo poema: “O que me espanta, diz Deus, é a esperança...”

Com sua refinada cultura humanista, filosófica e teológica, Bento XVI oferece em sua encíclica profunda reflexão sobre esta virtude ao mesmo tempo tão frágil e tão poderosa.  Frágil porque sempre nova, devendo reinventar-se a cada passo, comandada pelo sopro do Espírito que a suscita.  Poderosa porque graças a ela a humanidade faz a gloriosa experiência da mulher que esquece as dores do parto pela alegria de haver dado um filho ao mundo.

        Só a esperança, relembra o Papa, pode fazer experimentar alegria em meio à dor, ver futuro onde a razão só enxergaria escombros e cinzas.  Só a esperança permite encontrar sentido em entregar a própria vida pelos outros, vivendo o amor até as últimas conseqüências.  Só a esperança permite seguir adiante quando todos os caminhos parecem irremissivelmente fechados, buscando com o olhar e o coração a luz que teima em não se fazer ver ou perceber.

        Na primeira parte da encíclica, dialogando com vários pensadores contemporâneos, o Papa chama a atenção para o fato de que as muitas esperanças experimentadas ao longo da vida humana são parciais e não plenas.  E a própria insatisfação do ser humano após tocar seu objeto de desejo e perceber-se não saciado  dá testemunho de que sua vocação está mais além.

        Reconhecendo o papel positivo das utopias que dia a dia nos mantêm a caminho, o Papa aponta para a provisoriedade de todas elas, sejam quais forem sua forma ou proveniência. A única esperança que não defrauda só pode originar-se de uma fonte que jorra gratuitamente e  nos atinge como dom.  Indo ao encontro do dinamismo que, em nossa finitude, deseja e anseia o infinito, a esperança alarga nossos espaços interiores e impulsiona-nos para adiante, conscientes de que aquilo que esperamos sempre nos precede e se encontra mais à frente.

        Dialogando com Kant, que identifica a pergunta pelo que é permitido ao ser humano esperar como uma das grandes questões humanas, o Papa analisa as frustrações pelas quais passa hoje a humanidade como carência de esperança.  E situa seu nascedouro no fato de que o ser humano tem desperdiçado sua vocação para o absoluto em ideais provisórios, frágeis e fugazes. Só o Absoluto pode plenificar o coração humano.  E só Deus – lembra o Papa – é esse Absoluto pelo qual a humanidade espera.

 Em Jesus Cristo – o Grande Esperado deste Advento,– Deus respondeu definitivamente ao desejo humano.  Nele, em quem o Cristianismo reconhece o Messias esperado, Deus “comunicou a substância das coisas futuras, e assim a espera de Deus adquire uma nova certeza.  É espera das coisas futuras a partir de um dom já presente.” (n. 9).

        Belo programa para este Advento: buscar o dom absoluto e definitivo no humilde cotidiano.  Exercitar os sentidos para perceber na concretude passageira das coisas o peso de eternidade que lhes concede Aquele que se fez carne e habitou entre nós.  Esperar Aquele que vem, criança, no Natal, é sentir que ser humano é ter a permissão de esperar o Amor que a tudo dá sentido e nunca se acaba.

* Maria Clara Lucchetti Bingemer, teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio, e Diretora Geral de Conteúdo do Amai-vos. É também autora de "A Argila e o espírito - ensaios sobre ética, mística e poética" (Ed. Garamond), entre outros livros.



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 15h56
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Mensagem de Advento - Frei André Becker, ofm

Abaixo mensagem de advento de Frei André, Reitor do Santuário Santo Antonio do Valongo, postada originalmente no Blog da OFS.
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Escrito por Equipe Blog do Santuário às 10h11
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“Ele é nossa Redenção”

Pe. Luiz Carlos de Oliveira - Redentorista

Um rei crucificado

A festa de Cristo Rei era celebrada no último domingo de outubro. A idéia da celebração era reforçar o poder de Jesus Cristo sobre todo o universo. Com a reforma, a festa passou para o final do ano litúrgico, para significar que Cristo é o ponto de convergência de todo o ano da vida da Igreja, porque “por meio dEle e para Ele foram feitas todas as coisas” (Cl 1,16). Ele é o Rei que realizou a redenção através da cruz, quando abriu as portas do Paraíso, dizendo ao malfeitor: “Ainda hoje estará comigo no Paraíso” (Lc 23,43). A Cruz é o trono do grande Rei. A história da piedade colocou em Cristo uma coroa preciosa, mantos reais, pedras preciosas, cetro, globo nas mãos. Ele é rei sim, mas não se enfileira aos reis da história. O “meu reino não é desse mundo”, diz a Pilatos. No episódio do diálogo dos dois malfeitores aparece a tentação de Jesus sobre sua missão de Cristo e seu poder de salvação: “Tu não és o Cristo? Salva-te a Ti mesmo e nós!” (39). Os poderes da terra o atacam: o religioso pela boca dos chefes do povo, o civil, pela boca dos soldados, e o poder político, pela boca do malfeitor. Ele não correspondeu a suas expectativas. Cristo mostra seu poder, não de uma salvação individualista, mas abre a todos as portas do Paraíso. O homem pode voltar ao seu original, sua casa, sua terra, seu jardim, o Céu. Ele corresponde ao projeto do Pai no poder de redenção. O outro malfeitor recorda o temor de Deus: “Não temes a Deus... nós merecemos. Ele não fez nada de mal” (40-41). Ele é o Justo Inocente. O único Inocente torna inocente a todos aceita pelo Pai. Por isso pode dizer: como Deus Fiel, falo a ti: “Hoje estarás comigo no Paraíso”! Hoje é o dia de Deus, dia em que se realiza o Desígnio de Deus, redenção em ato. Hoje está a dizer o Reino está aqui. A morte dEle é salvífica. Cristo é o Rei que apascenta o povo de Deus.


Reconciliação, serviço a Deus

Paulo, na carta aos Colossenses, descreve aos fiéis o que a redenção realiza em suas vidas: “Ele vos tornou capazes de participar da luz, que é a herança dos santos. Ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no Reino de seu Filho amado, por quem nós temos a redenção e a remissão dos pecados” (Cl 1,12-14). Por isso damos graças ao Pai pelo que realizou por nós. Cristo é o centro de tudo. ‘É imagem do Pai, primogênito de toda criação’. A razão do mundo está nEle: ‘Por causa dele foram feitas todas as coisas, celestes e terrestres’; É criador com Pai e finalidade da criação: ‘Tudo foi criado por meio dEle e para Ele’; Tudo nele tem sua consistência pois é ‘a Cabeça do Corpo, Princípio, Primogênito dos mortos’; ‘Nele habita a plenitude de Deus’. Nele, natureza humana e divina, Deus realiza a reconciliação de todos os seres, realizando a paz pelo sangue de sua cruz. Cristo, servidor, serve ao Pai no serviço a todos os seres.


Glorificar a Deus

O reconhecimento de Cristo como Rei do Universo, centro para o qual tudo se dirige, não é só um reconhecimento, mas um ato de culto ao Pai. Louvando o Filho, nós glorificamos o Pai. A verdade da fé, não está em aceitar doutrinas e modos de piedade, mas acolher uma pessoa, Jesus Cristo. E com Ele entregamos ao Pai o Reino de verdade e de vida, santidade e graça, justiça amor e paz. Tudo o que fizermos ao menor, é a Ele que estamos fazendo. Todo fiel, se for consciente de sua adesão a Ele, seja consciente de que seu caminho e de cruz. Não há redenção sem a cruz. Ela é a chave da porta do Céu e dos tesouros de Deus. Em toda a celebração nós dizemos: Por Cristo, com Cristo e em Cristo, a Vós, Deus Pais, todo poderoso, toda honra e toda a glória, agora e para sempre.

(fonte: www.redemptor.com.br)



Escrito por Equipe Blog do Santuário às 10h53
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